
Escrito em 01/04/11
Tudo o que eu gostaria era que as casas representativas do povo fossem repletas de Bolsonaros. E eu não digo isso por concordar com a filosofia de extrema direita dele, muito menos com a boçalidade enraizada naquele ser. Menos ainda com o racismo e a homofobia que exalam dele. Eu acho tudo isso muito pobre, muito baixo e de uma ignorância tremenda. Até assusta-me saber que essas coisas venham de um Oficial das Forças Armadas e que hoje é um deputado bem votado. Mas eu gosto da opinião escancarada, quase caricatural dele. E adoraria que todos os políticos fossem assim, gritassem aos ventos as suas opiniões, suas convicções. Dessa forma o cidadão, ciente da forma de pensar desse candidato, teria pelo uma chance em votar em alguém condizente com suas crenças. O que se vê hoje são discursos prontos, montados para agradar a quase todos e com uma censura que proíbe quaisquer palavras que possam acarretar em perda de votos. Esse modelo de político é tão sujo, talvez até mais feio que o próprio Bolsonaro, que dentro da sua terrível verdade pessoal, bate no peito e assume a forma de pensar e as coisas que diz. A coragem dele é inegável e deveria ser estimulada. Não deveriam repreender alguém que diz o que pensa, por mais que se discorde das coisas ditas. Esse massacre, esses ataques contra o deputado com ares nazistas, fazem com que os outros deputados apenas reforcem a idéia do discurso perfeito. É uma pena que o país ainda não tenha aprendido a exercer e deixar que exerçam o direito de opinião. E eu não digo se deva ouvir calado tudo o que o infeliz falou. Acho válido o debate sobre o que foi dito, algumas coisas até poderiam passar em branco, pois nem merecem discussão de tão absurdas. De qualquer forma, deixem o homem falar, deixem a Direita Nacionalista mostrar a cara. Ou preferem o estilo “bom painho” Antônio Carlos Magalhães, quem sabe o modelo “Democrata” de Ônix Lorenzoni então? É direito dele e facilita muito a vida do eleitor. É uma pena que os outros não tenham a mesma burra coragem e se escondam na vergonhosa esperteza. Mas pelo jeito a regra é essa, é assim que o brasileiro prefere.
Enquanto isso Porto Alegre continua sangrando, chorei lendo as noticias que há meses resistia em ler. É empresário assassinado pela quadrilha de roubos de carros. É criança violentada, é máfia dos jogos e uma variedade de mazelas que retratam a doença enraizada na cultura da omissão, da desinformação e do egoísmo no jeito simpático do brasileiro viver.
Na Líbia, a Força de Coalizão (isso soa como a liga da justiça) luta contra o mau e promete continuar a salvar o mundo das mãos dos tiranos. Tribunal Internacional para julgamento de crimes contra a humanidade? Zona de Exclusão Aérea? Os EUA reconhecem a legitimidade do Governo Rebelde e apóia as negociações de paz? Que porra é essa, quem acredita nisso ainda? A vergonha no Iraque nem acabou e eles já criaram essa. Eu queria ter nascido homem, ter vergonha na cara e explodir uma loja da Ford ou um McDonalds cheio de criança loirinha brincando no 4 de julho. Quem sabe assim o mundo não pára e pensa na guerra.
A pior doença social é a inaptidão de entender os fatos históricos e suas circunstâncias.
Isso me lembra a covardia. E ela não tem apenas dois lados, são três. O que morre, o que mata e o que deixa matar. Se um dia um tirano mata judeus, porque você deveria temer? Você não é Judeu mesmo. Logo ele começa a matar negros. Mas porque temer, você é branco. Depois vem a Líbia, mas ninguém dá bola, eu nem sei onde é a Líbia. E quando esse tirano bater no seu ombro e dizer que é a sua vez, não adianta chorar, estão todos dominados ou mortos, ninguém pode te socorrer, ninguém mais tem força para lutar.
Eu queria lutar, eu queria era poder ajudar, mudar, informar, derrubar alguns e levantar outros, mas hoje me sinto fraco. Perdi as forças, os anos de trabalho, formação e estudo não me fortaleceram, não me encorajaram e mesmo me fazendo entender um pouco o funcionamento da estrutura vil que mantém a doença dentro do nosso grande jardim, eu não me sinto capaz de fazer oposição. Hoje estou como um para o pai que chora a morte do filho abraçado ao corpo caído e não tem força e cabeça para levantar os olhos e ver o assassino fugir caminhando.
Talvez seja apenas a covardia abastecida pelo conforto do banho quente e a cama limpa.
Enquanto isso Porto Alegre continua sangrando, chorei lendo as noticias que há meses resistia em ler. É empresário assassinado pela quadrilha de roubos de carros. É criança violentada, é máfia dos jogos e uma variedade de mazelas que retratam a doença enraizada na cultura da omissão, da desinformação e do egoísmo no jeito simpático do brasileiro viver.
Na Líbia, a Força de Coalizão (isso soa como a liga da justiça) luta contra o mau e promete continuar a salvar o mundo das mãos dos tiranos. Tribunal Internacional para julgamento de crimes contra a humanidade? Zona de Exclusão Aérea? Os EUA reconhecem a legitimidade do Governo Rebelde e apóia as negociações de paz? Que porra é essa, quem acredita nisso ainda? A vergonha no Iraque nem acabou e eles já criaram essa. Eu queria ter nascido homem, ter vergonha na cara e explodir uma loja da Ford ou um McDonalds cheio de criança loirinha brincando no 4 de julho. Quem sabe assim o mundo não pára e pensa na guerra.
A pior doença social é a inaptidão de entender os fatos históricos e suas circunstâncias.
Isso me lembra a covardia. E ela não tem apenas dois lados, são três. O que morre, o que mata e o que deixa matar. Se um dia um tirano mata judeus, porque você deveria temer? Você não é Judeu mesmo. Logo ele começa a matar negros. Mas porque temer, você é branco. Depois vem a Líbia, mas ninguém dá bola, eu nem sei onde é a Líbia. E quando esse tirano bater no seu ombro e dizer que é a sua vez, não adianta chorar, estão todos dominados ou mortos, ninguém pode te socorrer, ninguém mais tem força para lutar.
Eu queria lutar, eu queria era poder ajudar, mudar, informar, derrubar alguns e levantar outros, mas hoje me sinto fraco. Perdi as forças, os anos de trabalho, formação e estudo não me fortaleceram, não me encorajaram e mesmo me fazendo entender um pouco o funcionamento da estrutura vil que mantém a doença dentro do nosso grande jardim, eu não me sinto capaz de fazer oposição. Hoje estou como um para o pai que chora a morte do filho abraçado ao corpo caído e não tem força e cabeça para levantar os olhos e ver o assassino fugir caminhando.
Talvez seja apenas a covardia abastecida pelo conforto do banho quente e a cama limpa.
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