
Escrito em 20/03/11
Quando eu saí do trabalho hoje, meu corpo e cabeça pediam uma relaxada. Então rumei ao fervo boêmio da capital mundial dos que gostam de tomar uma cervejinha. Entrei em vários pubs e bares e não me senti à vontade. Não eram aquelas as atmosferas que eu procurava. Hoje eu não queria festa nem bagunça, a sonoridade teria que ser melódica, quase melancólica, a cerveja tinha que ser original e a bagunça obrigatoriamente deveria se uma mistura cultural. Entrei em um bar com data de inauguração de 1860 (se não em engano). O nome do lugar deu nome ao bairro (Temple Bar) e é o mais famoso da cidade. Além de reunir uma mistura absurda de turistas, O Pub centenário é também freqüentado pelos teimosos e fiéis Irlandeses que parecem reverenciar o lugar. Então mais uma vez eu entrei, e pela milésima vez me encantei com o tamanho do balcão do bar, com a decoração, com os diversos ambientes, com a energia pulsante e sua música boa. De posse de uma gelada eu fui me colocar de frente ao palco. Lá estavam tocando e cantando os talentosos de sempre e da mesma forma a música que convida todo o povo ao coro e faz aquilo tremer de uma forma linda. Hoje eu não queria conversa, eu queria ouvir a minha música, tomar a minha cerveja e voltar para casa feliz. Mas eu estava na Temple Bar, dentro do Temple Bar, então o animo muda, a conversa aparece e agente canta junto. De qualquer forma, o espírito teimoso do dia era saudosista, então eu olhava o teto decorado, os degraus que levam ao palco, as expressões dos músicos, a reação do público e alguns detalhes minúsculos do mágico ambiente. Eu rezei cada música ali tocada e devagarzinho fui me despedindo de Dublin. A saudade veio correndo e pisou forte meu peito fazendo doer o coração. Dentro de uma intensidade difícil de explicar, dentro de uma perspectiva difícil de fazer entender eu vivi aqui um ano. Despeço-me com as armaguras de quem não teve um relacionamento perfeito, mas sobre tudo com a saudade de quem amou demais esses dias juntos e que no conjunto foram lindos e felizes demais demais. Em lágrimas como as roladas na ultima música da noite eu as repito agora cantando de novo “ I can’t live with or without you”.
Ouvir música do U2 dentro do Temple Bar tomando uma Guinness não é coisa que se explique, é coisa que se canta e sente-se.
Com o coração acostumado a tremer, com o corpo cansado do que é parado, agente pede sempre mais movimento. Então que venha a España e o todo calor que nesse nome está contido.
"Vale?"
Nenhum comentário:
Postar um comentário