terça-feira, 17 de maio de 2011

Reencontro (a foto me lembrou o quanto crescemos com a leitura)

17/12/10
Não sei exatamente quais foram os motivos, provavelmente falta de tempo mesmo. Quem sabe necessidade de descanso para a cabeça. O fato é que me afastei dos livros nos últimos meses. Dias atrás, olhando algumas coisas na agenda, dei-me conta que esse ano havia passado sem que eu tivesse lido nada. Seria até vergonhoso dizer isso, mas eu realmente andei ocupado ultimamente. Importe é que retomei a deliciosa rotina da leitura. É bem verdade que duas coisas me incomodam nesse livro. Uma é a forma viciada de escrita que trás a impressão de já termos lido milhares de vezes a mesma historia. A outra dificuldade é o idioma, o livro é em Inglês. Bom para treinar, mas torna a leitura mais lenta e cansativa.
Por que ler esse livro então? Primeiro porque eu já comecei, agora preciso terminar, não posso deixar pela metade, e também preciso saber o final. Alias, sinto-me culpado quando deixo de ler um livro até o fim. Talvez esse livro nem merecesse tamanha consideração, mas me sinto um pai abandonando um filho. Depois de ter assumido o compromisso, tem que ir até o fim. É ultrajante deixar um livro sem ler as ultimas páginas. Seria melhor ter pegado e colocado direto no lixo, mas parar de ler assim no meio da história é como tirar a roupa de uma mulher, beijar ela toda e ir embora.
Outro motivo que me faz continuar lendo é que ele simplesmente parece minha biografia. Claro que com algumas (inúmeras e gigantescas) variações, mas sinto-me lendo a minha vida. Até agora tem sido muito bom reencontra a leitura, rever a minha estória. Bobo dizer isso, mas estou mesmo muito feliz com a volta desse simples e delicioso vicio. Cada dia mais convicto que felicidade está nas coisas simples da vida.

Espetacular

16/12/10 A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin

Frankfurt

15/12/10
Acreditar em algo e não o viver é desonesto.

(Gandhi)

É assim que se vive os sonhos, sonhando de olhos e coração bem abertos

Viajando na viagem

Escrito em 12/12/10
Diferentemente do que foi proposto quando comecei a escrever nesse espaço, eu praticamente nunca deixei aqui relatos de viagens. Hoje brinco de diário de bordo antes mesmo da viajem. Amanhã desembarco na Alemanha. A expectativa é grande, difícil de dormir quando o sono não vem. Mala fechada, documentação na mão, clima favorável e o sempre variável roteiro “pronto”.
Por diversas razões, essa viagem possui por si só, uma força magnética que me atrai desde meus 12 anos. Até aqui se passaram alguns dias, espero não esperar mais 18 anos para sentir isso novamente. Pelo menos agora já conheço o caminho.

E como é para terra dele onde vou, achei interessante citar:

“Feliz só será
A alma que amar.
Estar alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer
Feliz só será
A alma que amar.”

Johann Wolfgang von Goethe

Feíura

Escrito em 09/12/10
"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."

Fernando Pessoa

Fluindo...

Escrito em 07/12/10
Sonhei um dia desses que minha mente discutia como meu corpo. A primeira dizia que sairia para passear e logo voltaria. O corpo respondeu, com certo ar de inveja, para que a mente não fosse longe. Pois a qualquer momento ambos poderiam ser chamados a comparecerem juntos. Recém saída do corpo, a mente informa ao corpo que viajaria de volta para casa, fosse acompanhada ou não. Descrente dessa possibilidade e coragem, o corpo começa a receber relatos minuto a minuto da viagem da mente, que começa dizendo assim: Logo passando pelo teto, achei estranho não carregar sujeira do lamacento telhado. Sinto frio na escuridão da noite, mas sem me incomodar com ele, apenas noto a mudança de temperatura, de luz, de som e a presença agradável do vento fraco e constante. Subi rápido à altura das nuvens, curioso como percebi mudança na direção do vento na passagem de cada nível. Senti a baixa da temperatura e a falta de umidade do ar. De forma a não se explicar, vindo não sei de onde, recebi a informação para qual sentido voar. E assim fui, brincando de baixar e subir de nível percebendo uma vez mais a mudança no ar. Até a concentração de oxigênio eu acho que notei variar. Segui brincando de furar nuvens, e me flagrei rindo por achar engraçado sair no lado oposto, muitas vezes com o rosto molhado. Em seguida já estava sobre o oceano, ainda era noite e eu voava curtindo os encantos do fluido gasoso. Arrisquei trocar e mergulhei agressivo no mar. O impacto foi forte e o mergulho no gelado deu a nítida impressão de uma piscina sem limites. Veio um formigamento gostoso, me senti mais acordado pelo frio, que ainda não incomodava, mas era percebido. Essa ativação me fez dar conta de que o corpo ainda me ouvia relatar a viagem, e alias, dentro da água parecia ter melhor audiência.
A água como fluido é mais gostosa de deslizar, acaricia a pele a todo tempo, e a pressão causada quando em velocidade, nos faz sentirmos incrivelmente vivos. Ainda com a mandíbula fechada, abri os lábios e catei micro organismos como se fosse uma baleia. Sentia o salgado sabor da água fria. Imaginava meus cílios sendo abanados de acordo o sentido dos meus movimentos. Tentei cheirar uma planta vermelha e não consegui. Meus sentidos pareciam ter mudado, o odor era captado na parte posterior e lateral da língua. Segui flutuando, toquei nos peixes, que aqui embaixo, parecem mais escorregadios ainda. Acariciei as algas e provei da estranha viscosidade da superfície delas.
Brinquei tanto, que quando percebi era claro, o sol iluminava o fundo do mar. Talvez compensando o tempo “perdido”, passei a viajar usando uma velocidade cada vez maior. Coloquei a ponta dos dedos na areia ao fundo e segui arrastando, removendo o fundo e aproveitando a sensação de cócegas. No segundo em que pensei se estava ou não relatando essas coisas para o corpo, senti uma forte fisgada, uma picada na mão. Parei, olhei e notei ter atingido um animal semi-enterrado. Os dedos correndo na areia tocaram e até machucaram as patas desse estranho animalzinho, que parecia uma lagosta achatada. Os espinhos da pata dele fizeram meu dedo sangrar. Sendo apenas um pensamento, uma mente, achei estranho isso acontecer e perguntei ao corpo como isso seria possível. De dentro de mim, sem responder com voz distante como antes, apenas me fez perceber que já viajávamos juntos. Éramos um só ali mergulhando de volta pra casa.

Acordei na minha cama aqui em Dublin, não consegui chegar a minha cidade, a minha casa, abraçar a minha mãe ou muito menos te tocar dormindo. Fiquei triste com a situação real, extremamente saudoso da viagem e confiante na próxima jornada.
Escrito em 06/11/10
Em três dias perdi dois amigos.
Hoje ao chegar ao trabalho recebi a noticia de que meu amigo não viria mais. Ele mesmo havia me contado sobre os planos de fazer algo melhor e maior. Na verdade partiu em busca de algo melhor pra si e para a família, dessa forma o perdôo. Em 5 meses de trabalho juntos aprendi muito com ele. Não falo apenas dos palavrões em Russo e Polonês.
Espero ter captado pelo menos 1% daquela sabedoria no trato com pessoas. As vezes eu o observava, testemunhava ele trabalhando rápido, produtivo, sendo um excelente funcionário, dando rendimento ao investimento e justificando plenamente o salário recebido. Mesmo diante da cobrança do cargo, a imposição e necessidade de resultado, jamais o vi passar por cima de quem quer que seja. Com a simplicidade de uma criança do interior ele distribuía ordens. Com a camaradagem impar recebia fornecedores e negociava melhor condição para todos. Captava nos dois primeiros minutos de trabalho se alguém estava triste, cansado, preocupado, com fome ou qualquer outra coisa. Não eram necessários mais dois minutos para isso começar a ser resolvido, seja com piada, musica alta e animada, seja com um abraço ou uma conversa séria. O apoio, o estimulo e conversa amiga sempre foram muito além tratamento digno e do discurso motivacional vindo de um chefe inteligente. Era questão de respeito, de reconhecimento e valor mesmo ao ser humano. A condução perfeita no local de trabalho o tornou gigante ali dentro, da mesma forma será sentida a falta dele. Não é a toa que o nome dele é Magic.
Engraçado dizer isso quanto se trata de um chefe, ainda mais de um Polonês com cara de açougueiro Russo ou Soldado Nazista, mas hoje foi um dia triste. O trabalho não será mais o mesmo, vou sentir falta do meu amigo.
Assim é a vida aqui, cada dia se faz um amigo novo e se perde outro.