Escrito em 23 de agosto de 2011.
Acordei com um sussurro. Alguém me chamava, me despertava do meu sono de mochileiro exausto. Acordei palpitante, ofegante e sem saber onde estava. Na verdade eu não sabia em que país estava e com quem estava. Foram necessários poucos segundos para estabelecer a realidade, estou sozinho em um quarto de Hostel em Bruxelas. Completamente desperto eu tive tempo para pensar nos caminhos que dei à minha vida. Procurei entender meus passos, procurei saber o que me trouxe ao que eu sou hoje. Tento examinar o tamanho dos estragos das minhas frustrações, inseguranças e o quanto isso tem impedido que eu seja mais feliz. O que eu fiz da minha vida? Onde foi que eu deixei meus sonhos, minha autoconfiança que de tão grande beirava a arrogância. De onde veio essa insegurança, esse desajuste, esse desconforto com as pessoas, essa dificuldade em aceitar as pessoas e seus defeitos? Além disso, me dou conta do tamanho do estrago que tem a culpa pelos erros. Cresci e mesmo depois de bem grandinho sempre ouvi que teria tudo, que tinha a vida pela frente e ela me daria tudo. Talvez diante de tamanha oferta eu tenha esquecido que deveria fazer as coisas acontecerem. Esperei ser presenteado, o tempo passou e as coisas, o sucesso, a grandeza, o maravilhoso futuro não veio. Então me vejo traído pelo tempo, fui deixado para trás. Não fui perdoado pelos meus esquecimentos, minha preguiça, minha acomodação diante da certeza de um futuro invejável.
Agora meus pensamentos são interrompidos pelos trovões, haviam meses que eu não ouvia um. Vieram trazidos pelas chuvas fortes e os ventos cortantes dessa madrugada vazia. De volta aos meus pensamentos eu pergunto onde estará ela? A minha linda mulher, meu filho, minha casa de garagem grande e jardim perfeito? Quando foi que eu deixei de buscar isso? Ainda daria tempo de muitas coisas, mas eu seria no máximo um pai velho e um lar simples. Mas tudo tem seu tempo. Eu terei o meu? O remédio do nosso sucesso, assim como o veneno que nos mata está na nossa cabeça, preciso aprender a beber da coisa certa.

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