sábado, 9 de julho de 2011
Talvez meu coração seja como um rabo de lagartixa, perco um pedaço cada vez em que ele é tocado. Assim como o também pegajoso bixinho, meu coração até se reconstrói depois, nasce um novo pedaço, a diferença é que passo assim a sentir tudo multiplicado, pois não perco a sensibilidade de cada pedaço que um dia foi perdido. Tenho mil corações, muitas razões, muitas vontades, desejos, amores, desencontros, frustrações e vontades. Sobre tudo tenho um arquivo aparentemente infinito e nele guardo ainda em cores fortes quase todas as luas que um dia me banharam.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Sorrindo...
Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Tradução da música "Smile" de Charles Chaplin
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Sólo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.
Sólo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me arañó esta suerte.
Sólo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.
Sólo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede más que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente.
Sólo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado está el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente.
sábado, 4 de junho de 2011
...
Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração
http://www.youtube.com/watch?v=QW0i1U4u0KE
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois
Cabe até o meu amor
Essa é a última oração pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na dispensa
Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe essa oração
http://www.youtube.com/watch?v=QW0i1U4u0KE
sábado, 21 de maio de 2011
Cheiro de casa, cheiro de chá, cheiro de canela, da cidade de Canela, jeito de interior, do interior do campo. Onde as coisas simples não são feias, onde a simplicidade não é confundida com ignorância e onde a ignorância é bem simples.
Poucas coisas possuem o poder de reavivar a nossa memória como os aromas, eu entrei em uma pequena loja de produtos naturais, bem pertinho aqui de casa. Na verdade eu abri um portal. A decoração é diferente, o ar é leve, os sorrisos são sinceramente macios e o aroma eu já disse, é de casa. É de alguma casa, não sei ainda qual casa seria, se a minha, a nossa, a dos meus sonhos ou alguma qualquer. Eu não sei porque entrei, eu estava passando na frente e pulei para dentro. A troca da temperatura, da energia, da leveza do ar me deixou ali parado uns minutos, apenas entrei e fiquei parado sem fazer nada. Depois, devagarzinho me aproximei da prateleira dos chás, dos cafés. Me senti acariciado, acariciando aquelas coisas, aquela loja como se fosse minha, como se fosse minha memória, minha casa. Quando eu vi a atendente do caixa com um lenço preso na cabeça de uma forma tão simples e diferente, eu a reconheci na hora. Era uma amiga, na verdade eu não sei se é, mas senti como se fosse.
Então entre alguns ombros, cabeças e coisas ela curvou o corpo, espichou o pescoço, encontrou meu olhar e disse: “Oi”. Eu senti tanta vontade de chorar, de correr e abraçar ela. Lembrei da minha mãe, da minha bisa, parecia uma grande amiga perdida, eu não sei porque, eu só queria abraçar ela.
Eu ando um pouco triste, na verdade bastante triste, um pouco perdido, um pouco sozinho, um pouco longe de casa, um pouco com saudade de casa, um pouco doente, um pouco inseguro, um pouco iludido, um pouco enganado, um pouco medroso e um pouco emotivo. Espero que tudo passe, tudo fique mais claro, mais limpo e com uma energia mais colorida, mais vida, mais brilho, um pouco mais de luz para iluminar as minha vistas embebidas na escuridão da incerteza e medo de quem hoje acordou com um medo absurdo do amanhã. Posso ficar na cama e me esconder do mundo? Acho que não por muito tempo, mas hoje era tudo que eu queria.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Os sonhos que nós temos, cada com o seu...
“Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo.”
Caio F. Abreu
Um ano na Estrada
Escrito em 11/05/2011
Um ano de Dublin. Um ano fora de casa. Mas que casa? O que é uma casa? É a nossa família e a sensação de proteção que ela nos oferece? É isso somado as lembranças das ruas por onde crescemos? É a cidade onde estão nossos amigos? Eu ainda não sei o conceito disso, mas sinto uma falta dolorida do que eu tenho na idéia como sendo a minha casa.
Foi ano cheio de coisas novas, cheio de estranhezas, medos, encantos, contradições e muitas diversões. Quando encaro o espelho percebo alguns sinais do tempo na pele seca do meu rosto. Se eu envelheci em um ano e consigo perceber isso, o quanto os outros não perceberão? Não foi apenas a pele que mudou, o coração mudou, a cabeça virou e os ombros estão mais largos. Hoje eu quero carregar uma mochila maior, meu mundo tem mais coisas, minha bagagem tem mais peso, mas a vida ganhou leveza. Aprendi a carregar apenas o que realmente preciso, doar o que posso e eliminar o que faz mal. As duvidas hoje são maiores que antes de viajar, os passos iniciados no aeroporto de casa ainda não foram interrompidos e parecem não querer parar, mas a saudade teima em bater e as lágrimas em rolar.
Foi um ano onde as distâncias diminuíram, por exemplo, a distancia entre a euforia alegre e o encanto emocionado. Algumas outras distâncias ficaram estupidamente, dolorosamente maiores. Mas dizem que a vida é assim, não se pode ter tudo, não se pode ganhar sempre. E não é que eu só queira ganhar, eu apenas estou cansado de perder.
Hoje eu faço um ano de Irlanda, hoje eu recomeço aqui, e nada melhor para recomeçar que pessoas novas na nossa vida. Pessoas alegres, pessoas com brilho nos olhos e palavras proferidas em sotaque caseiro. E já que é para recomeçar, então que venha com um trabalho novo, melhor que isso. No mais famoso e antigo Pub de Dublin. O meu Pub preferido é a partir de hoje o meu local de trabalho.
Com tudo isso eu deveria estar eufórico, mas estou triste, estou sozinho em Dublin, assim não tem graça. Contradição, razão e emoção. Vivo alternando entre isso.
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